Ensino e aprendizagem

Metodologia de ensino: qual é a melhor para sua escola?

Tempo de leitura: 7 min

Como é a metodologia de ensino da sua escola? O processo é centrado mais nos professores ou nos alunos? O método escolhido por uma instituição diz muito sobre as técnicas e estratégias utilizadas em sala de aula e como o aprendizado dos alunos é percebido.

Um método muito comum é aquele em que o professor passa o conteúdo e os estudantes são avaliados por provas e notas. No entanto, muito além dessa maneira tradicional de lecionar, existem diversas outras metodologias de ensino e cada uma tem sua forma de propiciar a aprendizagem aos alunos, inclusive com o uso da tecnologia.

Para ajudar você a determinar a que melhor se adapta à sua escola, apresentamos a seguir algumas das principais metodologias de ensino. Confira!

Construtivista

Criado na década de 1920, esse método foi formulado pelo psicólogo suíço Jean Piaget. Nessa concepção, o conhecimento é construído pelo próprio aluno a partir de suas vivências e aprendizados anteriores. Dessa forma, o professor é apenas um mediador do processo e não o elemento principal.

Na abordagem construtivista, percebe-se que o desenvolvimento cognitivo e da inteligência não segue sempre o mesmo padrão, e que cada aluno tem o seu tempo de aprendizado. Há também um reforço da autonomia do estudante, que é estimulado a pensar e a buscar soluções para os problemas propostos.

Existem provas e possibilidade de reprovação em escolas que adotam esse método, mas há uma preferência por trabalhos em grupo por uma abordagem que valorize o aspecto ativo da aprendizagem.

Freiriana

Na abordagem pedagógica pensada pelo educador brasileiro Paulo Freire, o ensino deve considerar os aspectos humanos, sociais e culturais do aluno. Assim, o professor deve escutar o estudante e auxiliá-lo a construir confiança para que o jovem compreenda o mundo a partir do conhecimento acadêmico.

Segundo a metodologia freiriana, o conhecimento é um instrumento de transformação das pessoas e estas são capazes de mudar o mundo. Dessa forma, a educação seria uma ferramenta de libertação do aluno.

Alguns dos princípios defendidos por essa corrente são: curiosidade, respeito e bom senso. Ainda que esse método não preveja provas, algumas escolas que adotam a visão de Freire têm avaliações.

Montessoriana

A metodologia pensada pela educadora italiana Maria Montessori, em 1907, considera o ensino como um processo em que o aluno tem um papel ativo. Dessa maneira, o professor tem o dever de auxiliar a eliminar obstáculos, mas são os estudantes que devem buscar o próprio aprendizado, com respeito ao seu ritmo.

Além da aprendizagem ter a mínima interferência do professor, as classes contêm alunos de diferentes idades que são estimulados igualmente a explorar os sentidos e a trabalhar em grupo, com o equilíbrio entre os conceitos de liberdade e disciplina.

Também há incentivo ao uso de jogos e outras ferramentas pedagógicas como o Material Dourado, um instrumento de aprendizado criado por Montessori composto por barras, placas e cubos com o intuito de facilitar a compreensão das operações matemáticas. As escolas que adotam essa metodologia podem ter ou não provas. Quando não há avaliação, o professor registra a produção do aluno.

Nessa visão, há seis pilares educacionais: educação cósmica, educação como ciência, autoeducação, ambiente preparado, adulto preparado e criança equilibrada. Ademais, o papel do adulto é ajudar a criança a se desenvolver como uma pessoa confiante, independente e criativa.

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Waldorf

Essa metodologia foi criada na Alemanha, a partir da década de 1920, pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, fundador da antroposofia — ciência que abrange o desenvolvimento e a compreensão do ser humano também no âmbito espiritual.

O método pedagógico Waldorf incentiva o uso da imaginação e da criatividade, bem como do pensamento livre e autônomo. Há um foco não apenas na atividade intelectual, mas também, na prática. Dessa forma, o aprendizado pode ocorrer nas tarefas do cotidiano, por exemplo, uma aula de culinária pode ser uma maneira de ensinar conceitos matemáticos e proporções.

De maneira geral, procura-se equilibrar o desenvolvimento da criança em três âmbitos: físico, individual e social. Assim, além das disciplinas obrigatórias — história, matemática, geografia etc. —, há matérias diferentes como tecelagem, jardinagem, astronomia, teatro, dentre outras.

Além disso, a divisão das turmas não é feita por séries, mas por idades, já que Steiner acreditava que cada faixa etária tem suas próprias necessidades. Durante o ensino fundamental, o aluno estuda com a mesma turma e o mesmo professor e não há reprovação, já que o ritmo biológico de cada um é considerado. No entanto, há trabalhos e boletins trimestrais com o desempenho dos estudantes no período, bem como avaliações, sobretudo, no ensino médio.

Pikler

A abordagem elaborada pela médica húngara Emmi Pikler também ressalta o desenvolvimento da criança em seu próprio ritmo, sem que seja apressada pelos pais. Assim, ela começa a entender que as suas ações têm consequências e passa a lidar naturalmente com isso.

Mais uma concepção do que um médoto, essa abordagem é voltada para a educação infantil, especialmente para os três primeiros anos de vida. Para Pikler, durante esse período, é importante que a criança vivencie um ambiente familiar que propicie um desenvolvimento saudável.

Os princípios fundamentais dessa metodologia são o cuidado com a saúde física e o respeito à individualidade de cada aluno — por exemplo, com a troca de fraldas e alimentação individualizada, de acordo com a fase da criança —, assim como o desenvolvimento da autonomia por meio do brincar livre, já que sozinho o bebê percebe progressivamente que suas ações geram consequências.

Sociointeracionista

Com base nos conceitos do psicólogo bielorusso Lev Semenovitch Vygotsky, a aprendizagem se dá por meio da interação entre o sujeito e a sociedade. Dessa forma, tanto o ambiente modifica o indivíduo como a relação inversa também acontece. Além disso, o estudioso acreditava que o indivíduo se organiza por meio da cultura e que o desenvolvimento depende do ambiente.

No contexto educacional, essa abordagem acredita que o professor tem o papel de estimular avanços que não ocorreriam de maneira espontânea. Assim, o educador age mais como mediador da aprendizagem do que como detentor de conteúdo. Seu papel é incentivar a curiosidade e a construção do conhecimento da criança de maneira mais autônoma no ambiente social.

Freinet

Segundo o pedagogo francês Célestin Freinet, a criança deve ser vista como parte da comunidade. Assim, a prioridade é o estímulo à cooperação entre as pessoas e ao trabalho em grupo.

A dimensão social é muito valorizada, por isso, há promoção de debates, atividades fora da sala de aula e incentivo ao compartilhamento das produções pelos alunos. Há um foco também no desenvolvimento da capacidade de análise. As avaliações consideram o progresso de cada aluno como indivíduo, sem comparações com os demais.

Democrática

Já a metodologia democrática é baseada na Escola Summerhill, elaborada na Inglaterra. Nessa concepção, os alunos têm mais liberdade para escolher as atividades que preferem para elaborar o seu aprendizado. Não há provas e nem obrigação de assistir aulas em um cronograma fixo. O importante é a participação e os trabalhos desenvolvidos por cada um.

Por fim, é importante destacar que não há um método necessariamente melhor. Cada um tem seus pontos positivos e negativos. Assim, antes de tomar qualquer decisão para mudar a metodologia de ensino da sua escola, é fundamental fazer um estudo profundo, que contemple tanto as necessidades dos estudantes quanto a proposta da sua instituição.

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