Cotidiano escolar

Mediação de conflitos na escola: como deve ser?

Nos ambientes escolares, é comum ocorrer divergências de objetivos e sentimentos entre alunos, professores, funcionários e até mesmo responsáveis, tornando-os suscetíveis a conflitos.

Tais divergências podem ser positivas ou negativas, dependendo de como as enxergamos. Assim, a mediação tem sido adotada pelos gestores escolares como estratégia favorável para resolver problemas. Ela tem o objetivo de ensinar o diálogo respeitoso, não violento e construir novos entendimentos perante as diferenças de opinião.

Portanto, como proceder nos momentos em que há divergência e ainda manter a execução das atividades educacionais com êxito? Confira neste post as diversas maneiras de resolver problemas por meio de ferramentas para a mediação de conflitos na escola.

Quais são os resultados alcançados por meio da mediação?

A mediação abrange estratégias de conciliação nas quais são ensinadas habilidades de negociação e diálogo, agindo com prevenção e evitando a ocorrência de discussões ineficazes. Desta forma, tem a tarefa de facilitar o processo de comunicação entre as partes, buscando soluções eficientes e pacíficas para os problemas.

Assim, os propósitos pretendidos ao se utilizar ferramentas de mediação de conflitos na escola são os seguintes:

  • melhorar o relacionamento entre estudantes, professores e demais membros da comunidade escolar;
  • desenvolver habilidades de liderança e aumento da participação dos alunos;
  • estimular o pensamento crítico e habilidades para a resolução de problemas;
  • buscar um ambiente amistoso na sala de aula, reduzindo tensões e hostilidades;
  • criar valores de cooperação com a comunidade escolar.

Os conciliadores que atuam na resolução dos conflitos podem ser administradores da instituição, professores e também os próprios estudantes. Assim, é possível deliberar e solucionar de maneira personalizada as dificuldades encontradas nas várias esferas de relacionamento da escola.

Quais são as técnicas utilizadas na escola?

Os meios mais utilizados para a conciliação de divergências são os seguintes:

Escuta ativa e rapport

Neste caso, os mediadores observam as linguagens verbal e não verbal dos envolvidos e procuram compreender informações importantes sobre o problema, criando maior sintonia e empatia com o interlocutor. Estas técnicas têm o objetivo de estimular a validação dos sentimentos e servir de apoio na busca de uma melhor solução para o conflito.

Normalmente, são utilizadas em momentos de divergência entre aluno e professor ou entre dois alunos. Nestas ocasiões, eles são chamados para conversar em uma sala especial para este fim.

Os mediadores ouvem as versões, direcionam a conversa com o objetivo de compreender os sentimentos envolvidos e auxiliam na resolução do episódio, dando aval para que os envolvidos proponham alternativas que serão ponderadas na decisão final.

Caucus

Nesta estratégia, os mediadores realizam encontros privados, separadamente, com cada um dos envolvidos. Com isso, é possível estabelecer uma relação de proximidade e confiança entre as pessoas e o conciliador.

Portanto, a metodologia é utilizada em momentos de discordância entre colaboradores da instituição de ensino que possam envolver vazamento de dados e técnicas administrativas sigilosas ou restritas. Assim, é possível reunir informações úteis para a negociação, acalmar os ânimos e diminuir a insegurança inicial de uma resolução em um grupo maior de indivíduos.

Círculo Restaurativo

Neste processo, reúnem-se, em um círculo, as pessoas envolvidas na situação conflituosa. Orientados por dois conciliadores, o encontro possibilita uma assembleia na qual é possível abordar o problema e organizar soluções. Este processo é usado quando acontece um problema coletivo — um aluno é excluído da turma em um caso de bullying, por exemplo.

O círculo restaurativo divide-se nas seguintes fases:

  • apresentação dos coordenadores da ação — professores, responsáveis ou alunos (líderes de turma);
  • os presentes abordam valores fundamentais para sua vida;
  • os mediadores trazem à tona o conflito que ocorreu. Cada um diz o que sente em relação ao que aconteceu;
  • o ofensor é convidado a elaborar um plano para reparar os danos (físicos, psicológicos, patrimoniais) causados.
  • após três meses, todos os participantes checam se o acordo estabelecido está sendo cumprido.

A adoção de sistemas de mediação de conflitos na escola, quando bem planejada e monitorada, leva ao desenvolvimento intelectual, comportamental e social eficaz não só dos alunos, mas também de todos os envolvidos no processo — colaboradores, professores e responsáveis.

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