Ensino e aprendizagem

Uso de celular em sala de aula: vilão ou aliado?

Tempo de leitura: 6 min

Não é possível afirmar em qual segmento a tecnologia digital tenha gerado impactos mais significativos — talvez, como aliada da medicina, tenha uma posição de destaque em relação aos avanços recentes. Nesse cenário, a escola, como espaço de difusão de saberes e construção do conhecimento, necessita de transformações, e até mesmo o  uso do celular em sala de aula vem sendo repensado.

A educação precisa se atualizar constantemente. Porém, muitas vezes professores e gestores de escolas ficam desorientados em relação à indicação ou não do uso dessa tecnologia em sala de aula. Afinal, como saber se devem trazer essa inovação para o desenvolvimento e o compartilhamento das atividades no ambiente escolar? 

Continue acompanhando este texto e veja como, se bem utilizado, o celular pode ser um valioso aliado em sala de aula!

Como lidar com os celulares no ambiente escolar?

É cada vez mais difícil proibir a entrada dos celulares na escola, e talvez este não seja o melhor caminho quando se trata de educação. Os smartphones — e a infinidade de aplicativos por eles processados — podem e devem fazer parte da rotina de uma sala de aula.

É importante salientar que esse aparelho, na contemporaneidade, tornou-se quase que uma extensão do corpo das pessoas, em especial no caso das gerações do terceiro milênio.

Visto por professores e responsáveis como vilão, o smartphone aterrissou de vez nas escolas, já que não sai das mãos de crianças e jovens. Por isso, a preocupação demonstrada em reuniões pedagógicas diz respeito a como evitar o uso excessivo e maléfico das mídias digitais na sala de aula e, ao mesmo tempo, incluí-las no ambiente escolar.

Usar os aparelhos em sala de aula seria apenas dar continuidade a esse processo de transformação comportamental. Porém, é preciso cautela diante desse incentivo, devendo diferenciar o uso pedagógico do lazer. 

Quais são os malefícios do uso do celular em sala de aula?

A criança e o adolescente estão em fase de formação e, por isso, não têm sua maturidade plenamente desenvolvida. Se não houver um acompanhamento profissional adequado, o celular em sala de aula será o pior inimigo da concentração dos jovens — e, até mesmo, de adultos.

Esse desvio de atenção da atividade pedagógica em execução tem grande chance de ocorrer, pois o apelo de redes sociais e aplicativos de games é um forte concorrente para as aulas, se não houver uma proposta clara e consistente que o utilize em prol do aprendizado.

Além do desvio de atenção, os alunos costumam compartilhar apenas o conhecimento gerado por eles mesmos nas redes sociais,dificultando o crescimento intelectual e a ampliação de horizontes — uma vez que eles só têm acesso à própria realidade.

O celular pode trazer benefícios para as aulas?

Por outro lado, o smartphone pode ser um grande aliado para a sala de aula. Conectado à internet, esse aparelho amplia o micromundo da escola ao universo como um todo. Porém, para que isso aconteça, é preciso que a proposta da aula seja clara e inovadora para despertar o interesse dos alunos.

Se as redes sociais e games no celular foram vistos como inimigos, eles podem também ser aliados. Já há uma tendência à gamificação das aulas, e as redes sociais podem ser usadas no compartilhamento de conteúdos e promoção de discussões.

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Dessa forma, as habilidades e competências dos jovens são desenvolvidas em um ambiente que já é familiar a eles. Os benefícios aparecerão a partir da ação do professor, responsável por integrar o uso da tecnologia às suas aulas. 

Como aliar o uso do celular às boas práticas pedagógicas?

O computador de gabinete, o notebook e, agora, o smartphone — entre outros recursos tecnológicos recentes — são plataformas que estão dinamizando as aulas e verdadeiramente transformando não só o ambiente escolar, mas toda a sociedade.

O professor, por meio de capacitação continuada, pode se preparar para ser parte desse movimento inovador e adotar estratégias em sala de aula que aliem as novas tecnologias à função social da escola: o conhecimento e a aprendizagem do aluno.

Por exemplo, estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem podem ser beneficiados com a adoção de vídeos, infográficos interativos e quizzes digitais. Mas não só eles: o benefício é geral quando se trata de chamar a atenção de crianças e jovens.

Veja, a seguir, algumas possibilidades dessa tecnologia durante as aulas.

Use aplicativos especializados

Já existem aplicativos direcionados a esse propósito. O Educreations, por exemplo, transforma o tablet em uma lousa digital interativa, com conteúdos que podem ser compartilhados em redes sociais. Outra forma de aproveitar o celular nas aulas é por meio de aplicativos que ajudam a manter o foco da turma, como o Paper.li, que permite criar e compartilhar conteúdos com os alunos.

O Numpty Physics é um jogo que desafia o estudante a desvendar os mistérios da Física com base nas leis de Newton. Já o Aurélio Digital permite que o aluno tenha em mãos um dicionário, com o qual o professor pode criar jogos de palavras, estudar conjugação verbal, ortografia e muito mais.

Incentive o uso educativo de sites e redes sociais

As plataformas mais comuns também podem ser importantes aliadas do processo de ensino e aprendizagem. O YouTube, por exemplo, disponibiliza conteúdos interessantes para atrair a atenção do aluno e facilitar o aprendizado. Se o professor deseja trabalhar uma letra de música com a classe, por exemplo, basta procurar pelo clipe — as aulas de Língua Portuguesa e estrangeira ganharão outra dimensão!

Os passeios virtuais a museus, para estudar Literatura e História, também são ótimas opções para ajudar os alunos a contextualizarem o que estão estudando. Já as videoaulas para Química e Biologia, por exemplo, ajudam a visualizar os fenômenos explicados pelo professor e que, muitas vezes, ficam no campo da abstração.

É importante destacar que o professor não precisa competir com a tecnologia, assim como não depende apenas dele e da instituição gerenciar o uso do celular em sala de aula.

No Rio de Janeiro, em São Paulo e no Ceará, por exemplo, há leis que proíbem o uso de qualquer tipo de eletrônico em sala de aula para fins não pedagógicos. Já em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, o uso durante o período é vetado e os aparelhos devem ser mantidos desligados. Essas são disposições válidas para escolas estaduais.

Como vimos, o tema é delicado e ainda há muito a ser discutido em relação ao uso de celular em sala de aula. Gestores, educadores e responsáveis precisam ficar atentos aos malefícios causados pelo uso excessivo dos aparelhos, mas não devem ignorar os benefícios que podem ser proporcionados pelas novas tecnologias.

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